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quinta-feira, 22 de março de 2012

Documentação avulsa do Arquivo Público, por Alex Raiol

O Texto abaixo é do Historiador Alex Raiol, um dos colaboradores do Projeto "Preservação, Conservação e Acesso". Aqui ele compartilha um pouco da sua visão sobre a importância de resgatar a documentação presente no Arquivo Público do Pará, além de falar um pouco sobre o processo arquivístico empregado no trabalho.

Documentação Avulsa no Arquivo Público.

Inicialmente gostaria de frisar a honra que é para mim, como cidadão e profissional, integrar o pequeno e motivado grupo responsável pela árdua, instigante e prazerosa missão de fazer o arranjo técnico de uma documentação avulsa do Arquivo Público do Estado do Pará. Aproveito a oportunidade para lembrar que o conteúdo desses documentos era até então desconhecido, pois os mesmos estavam acondicionados em pacotes com a mínima ou quase inexistente informação a seu respeito e que há anos se encontravam obscuros nos porões do prédio do arquivo.

Para melhor desempenhar essa atividade foi ofertado, no final do mês de janeiro, ao corpo funcional do projeto e aos demais funcionários da instituição, o curso de “Organização e Descrição de Documentos Acumulados em Arquivos Históricos”, ministrado pela Professora Dra. Ana Célia Rodrigues. Segundo a palestrante, é a partir da denominação normatizada do tipo documental que são estabelecidas as séries documentais.

Sendo assim, a partir de então, optou-se por essa metodologia de trabalho para o desenvolvimento do projeto, que consiste inicialmente no manuseio e leitura individual das peças documentais objetivando identificar sua espécie documental (divisão do gênero do documento que reúne tipos documentais por suas características comuns de estruturação da informação, como por exemplo: ata, carta, memorando, petição, requerimento e ofício); definição da série documental, a partir da identificação de uma sequência dos tipos documentais; a materialização dos dados levantados em ficha de identificação e por último o arquivamento das fichas de identificação de tipos documentais ordenadas alfabeticamente por tipologia, subgrupo e grupo de documentos.

Portanto, essa metodologia de trabalho além de ordenar as diversas e distintas séries documentais de forma a facilitar o acesso e pesquisa das mesmas, possibilita-nos principalmente conhecer e adequar o acervo as mais práticas arquivísticas. Além do mais, a oportunidade de participar do referido projeto nos dá a satisfação de iniciar o trabalho do arranjo técnico dessa documentação até então inédita, que democratizará futuramente suas informações contidas nessa grande massa documental, possibilitando e suscitando, talvez, novas e instigantes possibilidades de pesquisas.

Alex de Andrade Raiol.

terça-feira, 6 de março de 2012

Projeto resgata Documentação Avulsa no Arquivo Público do Pará.

Prestes a comemorar 111 anos de existência, o Arquivo Público do Estado do Pará é reconhecidamente uma das maiores instituições arquivísticas brasileiras, sendo prestigiado  pela UNESCO com o selo “Memória do Mundo/Memory of the World – MOW”, pelo seu trabalho com a guarda da documentação do período colonial da Amazônia (1649 – 1823).

Dentro do seu acervo, que recebe visitas de pesquisadores do Brasil e do Mundo, estão importantes documentos e iconografias como a ata da adesão do Pará à independência, os documentos da administração do diretor Emílio Goeldi no Museu Paraense e da administração do interventor Magalhães Barata. Porém, quais outras preciosidades se escondem no seu centenário prédio?

Em duas salas no Arquivo Público estão guardados 1663 pacotes, alguns em avançado estado de deterioração e todos sem nenhuma identificação. Dentro destes pacotes estão documentos que percorrem quase quatro séculos de história do Estado.

Agora, através do Projeto "Preservação, Conservação e Acesso: proposta de tratamento técnico da documentação avulsa do Arquivo Público do Estado do Pará", desenvolvido pela Associação dos Amigos do Arquivo Público do Estado do Pará (Arqpep), e com patrocínio do Programa Petrobras Cultural, este precioso acervo, denominado de “Documentação Avulsa” finalmente recebe a devida atenção.

O projeto está sendo coordenado pelo historiador Leonardo Torii e pela restauradora Ethel Soares, que encaram o trabalho de identificar, higienizar e recuperar todo este volume de documentação para finalmente disponibilizá-lo para o acesso do público em geral.

“O principal desafio é a identificação deste material, pois é comum em um mesmo pacote encontrar documentos dos séculos XVIII, XIX e XX, de origens e fundos diferentes”, explica Torii.

Ainda de acordo com os coordenadores do projeto, este acúmulo de documentação sem a devida catalogação e tratamento é fruto de décadas de descaso com arquivos tão importantes como ocorrências policiais e boletins médicos que foram direcionados para o Arquivo Público e não receberam nenhum tipo de atenção, sendo apenas envelopados e colocados em prateleiras.

Para Ethel Soares, é preciso conscientizar o público que o patrimônio histórico é mais do que apenas prédios e monumentos. “Se mesmo com edificações já há casos notáveis de descaso com o patrimônio imagine com documentos, que é algo muito mais fácil de deteriorar e ainda não é encarado pelo grande público como algo que deve ser preservado”.

Os trabalhos de arquivologia do projeto estão sendo feito com as mais modernas técnicas aplicadas atualmente em grandes instituições, como o Arquivo Público do Estado de São Paulo e Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Em janeiro deste ano foi realizado um curso de atualização para todos os funcionários e servidores do APEP ministrado pela Profa. Dra. Ana Célia Rodrigues, coordenadora do curso de Arquivologia da Universidade Federal Fluminense.

Com os trabalhos iniciados em janeiro deste ano, e ainda na primeira das quatro etapas do projeto, alguns documentos importantes já foram encontrados dentro de pacotes como os “Autos de Liberdade”, que fazem parte do processo de remoção dos restos mortais do maestro Carlos Gomes.

A previsão de conclusão do projeto é de dois anos. Até lá, o que mais poderá ser encontrado dentro desses pacotes que sobreviveram ao passado só o futuro dirá.

Antonio Pacheco Neto - ASCOM APEP / Arqpep